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O sincericídio de Izaura: declarações na hora errada reacendem desconfianças sobre Vanderlan

Suplente de senadora expressou ceticismo em relação a Caiado e Daniel Vilela num momento em que o governo articula a reincorporação do marido à base aliada

04/03/2026 às 10h44


POR Redação

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O timing foi cruel. Na mesma semana em que o governo de Ronaldo Caiado avança nas tratativas para reincorporar o senador Vanderlan Cardoso à base aliada, sua esposa, a suplente de senadora Izaura Cardoso (PSD), foi ao ar na última segunda-feira com declarações que soam como um torpedo de fragmentação política, o que atinge tanto as chances presidenciais do governador quanto a suposta solidez do bloco que pretende eleger Daniel Vilela (MDB) ao Palácio das Esmeraldas em 2026.

Em um ping-pong conduzido pelo jornalista Domingo Ketelby, Izaura descreveu Caiado com uma frase que vai ecoar nas próximas semanas: "Está duvidosa a campanha dele (a presidente da República) da forma que chegou." Sobre Daniel Vilela, o candidato ao governo do estado que carrega o apoio do próprio bloco do marido, a avaliação foi seca: "Tem que trabalhar muito." Questionada repetidamente sobre quem seria o próximo governador, Izaura se esquivou com um diplomático "Quem a população decidir", mas recusou-se a citar Daniel como favorito mesmo quando pressionada diretamente.

O problema não são as opiniões em si. Na boca de um analista político, as palavras de Izaura soariam como uma leitura honesta e realista do cenário eleitoral goiano. O problema é o momento e a origem. Matéria publicada pelo jornal O Popular nesta terça-feira, 3 de março, revela que o governo estadual avança nas conversas para incluir Vanderlan na chapa ao Senado, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado (União Braisil) e do deputado federal Zacharias Calil (MDB). O pacote representaria a acomodação definitiva de Vanderlan dentro da base de Caiado e Daniel.

Há apenas quinze dias, essa possibilidade era praticamente descartada. O histórico de traições acumulado por Vanderlan, um senador que já rompeu com aliados em momentos decisivos, o colocava como persona non grata dentro do grupo.

O sincericídio

É nesse contexto de reaproximação frágil e repleta de ressalvas que as declarações de Izaura chegam como combustível para reacender todas as desconfianças. Ao duvidar publicamente da candidatura presidencial de Caiado *- "Por causa das pesquisas. Eu me baseio na realidade e não em ficção" -,* e ao se esquivar de qualquer apoio declarado a Daniel Vilela, a suplente entrega, involuntariamente ou não, o mapa das ambiguidades do grupo Vanderlan.

O termo sincericídio raramente foi tão adequado. *Izaura não mentiu. Suas avaliações refletem o que boa parte mundo político pensa sobre as chances reais de Caiado na corrida presidencial e sobre a necessidade de Daniel Vilela construir uma narrativa própria.* Mas o efeito político de falar essas verdades neste momento específico, com o marido na tentativa se reposicionar como aliado confiável do mesmo grupo que ela critica, tende a ser devastador.

A suplente

Outro elemento que amplifica o impacto da entrevista é a posição institucional de Izaura: ela é suplente de Wilder Morais, o senador do PL que acaba de ser lançado candidato ao governo de Goiás justamente contra Daniel Vilela. Ou seja, a esposa do senador que tenta se reintegrar à base aliada de Caiado-Daniel.

Essa sobreposição de papéis transforma qualquer declaração de Izaura em material sensível. Ao chamar Wilder de "corajoso" e ao recusar qualquer sinalização de apoio a Daniel, Izaura não apenas expressou uma opinião, ela entregou uma visão de mundo que é, na essência, antagônica ao projeto político que Vanderlan diz querer integrar.

O que esperar?

As articulações para incluir Vanderlan na base aliada são reais, mas ainda estão em fase de conversas. A entrevista de Izaura fornece aos *desconfiados* dentro do grupo Caiado-Daniel o argumento que faltava para travar o processo: se a própria esposa do senador não acredita em Caiado como presidente nem em Daniel como governador, com que base Vanderlan se apresenta como aliado leal?

A política goiana tem memória seletiva, mas a Internet não tem. As próximas semanas vão revelar se o capital político de Vanderlan é suficiente para sobreviver ao sincericídio da esposa, ou se Izaura, sem querer, fechou sozinha a porta que o senador tanto tentava reabrir.