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BLOG DO JLB | José Luiz Bittencourt

POLÍTICA

Coluna Momento Político - 12 De Maio De 2021

12/05/2021 às 09h56


POR BLOG DO JLB | José Luiz Bittencourt

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MENDANHA E OS 99 ANOS DE APARECIDA: O FIASCO DE UMA GESTÃO SEM NENHUMA OBRA OU MARCA

Crescem as críticas ao modelo de gestão implantado por Gustavo Mendanha em Aparecida, um jovem de 38 anos que, no entanto, tem uma cabeça macróbia. Entre o primeiro mandato e os pouco mais de quatro meses do segundo, nenhuma obra de importância foi feita e nenhuma marca criada para identificar a administração, a não ser o marketing da “cidade inteligente” – que se resume a uma sala com telas de LED e apenas 100 das 650 câmeras prometidas espalhadas pela. Pior: com o Hospital Municipal mergulhado em uma crise profunda, inclusive como alvo de investigações policiais. Mas o que também é grave, em Aparecida, é a cooptação de 100% da classe política municipal através da folha de pagamento. Não à toa, Mendanha dispõe de 28 secretários para gerir uma cidade de 600 mil habitantes enquanto Bruno Covas, em uma São Paulo de mais de 12 milhões de moradores, conta com 25. A politicagem corre solta em Aparecida, onde tudo se resolve com nomeações para cargos comissionados com salários que vão de R$ 8 a 14 mil mensais. Com tudo isso, a passagem do aniversário de 99 anos de fundação do município acabou sendo marcada por um anúncio publicitário da prefeitura onde não é citada nenhuma realização, apenas o oba-oba que tradicionalmente acompanha as estrepolias do prefeito. Responsável pela invenção de Mendanha, o criador Maguito Vilela deve se revirar no túmulo diante do desregramento e da falta rumo da sua criatura. É triste ver uma grande cidade como Aparecida sendo levada com padrão de “governança” de corrutela.

VOLTA DE IRIS À POLÍTICA COMO CANDIDATO AO SENADO: UMA HIPÓTESE POSSÍVEL

O melhor e mais competitivo postulante candidato ao Senado, em 2022, sob todo e qualquer ponto de vista, é o ex-prefeito Iris Rezende, o único que hoje atende a visão do eleitorado de que a Câmara Alta é sob medida para políticos amadurecidos e experimentados. Seria um prosseguimento da sua aposentadoria anunciada no ano passado, mas sobre a qual paira a desconfiança de que não seria definitiva. Mais ainda: quando chegar a hora das pesquisas, Iris vai aparecer fácil, fácil em 1º lugar, o que corresponderá ao chamado de Deus e do povo que sem exceção esteve por trás da decisão de todas as suas candidaturas. O velho cacique emedebista já superou dos 87 anos e na época da posse no Senado, em 2023, caso venha a se candidatar e ganhar, terá 89? Problema? Não. Ele ostenta saúde de ferro, melhor do que muitos com a metade da sua idade. Come frugalmente e faz exercícios físicos todo dia. Leva uma vida financeiramente segura e com poucas atribulações no cotidiano, nada além da administração compartilhada com a filha de fazendas enormes, porém bem montadas, um “passatempo” de primeira. Isso quer dizer que, para Iris, optando por reentrar no palco, como candidato ao Senado, não há óbices pessoais.

FOI-SE O TEMPO EM QUE OS GRANDES EMPRESÁRIOS INFLUENCIAVAM O GOVERNO

Os grandes empresários goianos mandavam em excesso nos governos de Marconi Perillo e isso, definitivamente, não foi bom para Goiás, como provam os descabelados incentivos fiscais de que sempre usufruíram – correspondendo a uma renúncia de receita entre R$ 8 a 10 bilhões por ano, proporcionalmente a maior dentre os Estados brasileiros. Essa sinergia negativa terminou com a eleição de Ronaldo Caiado, vendo-se, agora, que não foi à toa que eles ousadamente promoveram uma homenagem a Marconi, às vésperas da eleição de 2018, mesmo após os primeiros eventos policiais (busca e apreensão nas residências do ex-governador) que logo em seguida ao pleito iriam resultar na prisão temporária do tucano. Os capitães da indústria estadual mostraram a sua fidelidade, mas nada mais nada menos que retribuindo as vantagens bilionárias recebidas durante os governos do tucano. Tudo isso agora pertence ao pó. O elo, que se pensava inoxidável, entre o empresariado e o poder, em Goiás, não resistiu ao golpe de facão aplicado por Caiado. Em boa hora.

ROGÉRIO CRUZ TENTA SE AFIRMAR COM VAREJÃO, MAS AINDA FALTA UMA IDENTIDADE

Não é fácil para um prefeito que não foi eleito conquistar a legitimidade política e convencer a sociedade de que pode ser um gestor adequado e capacitado. É o caso de Rogério Cruz, que agora investe em um varejão de pequenas realizações, sem conseguir encontrar um foco para o mandato que ganhou de presente do destino. Pelo menos parece superada a fase das crises diárias e da repetição de equívocos, mas persiste a imagem de improviso e de submissão a interesses não muito republicanos, como o excesso de mesuras – às custas dos cofres públicos – à Câmara Municipal, com o objetivo de evitar reações estimuladas pelo fisiologismo dos senhores vereadores. Já se passaram mais de quatro meses desde a posse, com a criação de um vácuo de poder cada vez maior, que o prefeito esperneia para preencher, mas ainda sem encontrar um caminho seguro.

OS DOIS ALCIDES VÃO MUDAR DE PARTIDO ASSIM QUE SE ABRIR A JANELA PARTIDÁRIA

Goiás tem dois Alcides na bancada federal, o Prof. Alcides e o ex-governador Alcides Rodrigues. Em comum, ambos estão no PP, partido que vive hoje em uma zona cinzenta, sem definição clara quanto a estar ou não na base do governador Ronaldo Caiado. Ambos mantêm distância do presidente estadual da legenda Alexandre Baldy, que mora em São Paulo e trabalha como secretário metropolitano de Transportes – responsável, aliás, por levar o metrô paulista a um prejuízo de 1,6 bilhão no ano passado, o maior da sua história. Agora, os dois Alcides se preparam para um movimento parecido, o de bater em retirada do PP para viabilizar, cada um, a sua reeleição. O Prof. vai para o MDB, reforçando sua aproximação com o prefeito Gustavo Mendanha e ajudando a fortalecer a chapa federal emedebista, enquanto o ex-governador deve desembarcar no DEM – destinado a lançar o maior número de candidatos à Câmara dos Deputados no ano que vem. Tudo isso, claro, só a partir de quando se abrir a janela legal, em abril vindouro, época em que será permitido o troca-troca partidário sem ameaça de perda de mandato para todos os parlamentares.

CENÁRIO ELEITORAL PARA A OAB-GO AINDA ESTÁ LONGE DE UM AFUNILAMENTO

Muito distantes, devendo ocorrer a 30 de novembro, as eleições para a seccional de Goiás da OAB ainda não deram nenhum sinal de afunilamento: dos seis pré-candidatos que largaram, apenas um desistiu, até agora – no caso, o atual vice-presidente Thales Jayme. Seguem em campanha, pela situação, o presidente da Escola Superior de Advocacia Rafael Lara; o presidente da CASAG Rodolfo Otávio; e a conselheira federal Valentina Jungmann (a aposta unânime é que será a próxima a desistir, anunciando apoio a Rafael Lara), e pela oposição o advogado criminalista Pedro Paulo e o eleitoralista Júlio Meirelles. Em um cenário que tradicionalmente se bipolariza entre um representante de cada lado, está difícil, por ora, prever se virão novas composições e qual será o quadro final da disputa.

EM RESUMO

  • É constrangedora a movimentação do prefeito Gustavo Mendanha, que gasta seu tempo fora de Aparecida atrás de lideranças políticas para discutir a eleição de 2022. Foco de gestor público, agora, deveria ser a Covid-19.

 

  • Flávia Teles, viúva de Maguito Vilela, vai concorrer à Assembleia Legislativa, com possibilidade de dobradinha com Daniel Vilela para deputado federal, caso este não vá parar na chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado.

 

  • Confirmando-se a indicação do deputado estadual Humberto Aidar para a vaga de Nilo Resende no Tribunal de Contas dos Municípios, quem assume é o 1º suplente do MDB Max Menezes, filho do ex-prefeito de Aparecida Ademir Menezes.

 

  • O relatório do deputado federal Prof. Alcides sobre a decadência do PP em Goiás sob o comando de Alexandre Baldy, encaminhado ao presidente nacional da legenda Ciro Nogueira, aborda também os gastos do fundo partidário.

 

  • O governador Ronaldo Caiado não desistiu de implantar um programa de renda emergencial. Os estudos prosseguem. De qualquer forma, uma decisão só virá após o fim do auxílio que está sendo pago pelo governo federal.

 

  • Fiasco: previsto para alcançar 24 mil beneficiários, o Renda Família implantado pelo prefeito Rogério Cruz não chegou a 10 mil – como resultado das drásticas exigências adotadas para o cadastro dos interessados.

 

  • O presidente da Assembleia Lissauer Vieira recebeu sinalização segura de que o PSD vai se alinhar com a base do governador Ronaldo Caiado, liberando assim a sua filiação para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

 

  • O ex-governador Marconi Perillo e o presidente da FIEG Sandro Mabel estão aconselhando o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha para deixar o cargo e se lançar em uma candidatura de oposição nas eleições do ano que vem.

 

  • É bom saber: precavido, o ex-prefeito de Trindade e ex-presidente estadual do PSDB Jânio Darrot continua tecnicamente sem partido. Ele hesita sobre a sua anunciada filiação ao Avante, dirigido em Goiás por Jorcelino Braga.