
FALTA DE NOME PARA ENFRENTAR A REELEIÇÃO DE CAIADO DEIXA A OPOSIÇÃO À DERIVA EM GOIÁS
É incontestável: a um ano e meio da eleição de 2022, a oposição não tem nenhum nome para enfrentar a reeleição do governador Ronaldo Caiado. Muito pior: não tem uma ideia, uma proposta capaz de representar uma alternativa para a gestão que Caiado faz, centrada em pilares sólidos como o ajuste fiscal, o aperfeiçoamento da política de segurança pública e, agora, o espalhamento de obras por todo o interior do Estado, isso sem falar na mão firme no combate à pandemia, algo que será exigido dos governantes brasileiros ainda por um bom tempo, talvez dois ou três anos. Não há como tirar do atual governador o reconhecimento pelo exercício sério e responsável da sua autoridade e o comprometimento com uma conduta ética que se contrapõe à frouxidão do passado, o que, em Goiás, representa um avanço considerável. Pode-se discordar das ações e do discurso do governador, uma ou outra, mas, a respeito de sua retidão moral, há o consenso de que se trata de um político inatacável. Contra isso o que se levanta? “A politiquice, produzida por cabeças de alfinete que cercam determinados líderes, e acaba servindo apenas para fortalecer Caiado”, responde muito bem o Jornal Opção.
DOIS PROJETOS DE DANIEL VILELA, PODEM APOSTAR, QUE VÃO DAR EM NADA
Uma matéria plantada em O Popular informa que o ex-deputado federal e atual presidente estadual do MDB Daniel Vilela vai implantar uma fundação, com o nome do seu pai, para atuar na assistência social – que, explica ele, teria sido uma das bandeiras das gestões de governo que ele fez (o que, notem bem, leitora e leitor, está longe de ser uma verdade; voltaremos a esse assunto). O rapaz pretende também criar um canal nas mídias sociais, para falar de assuntos que misturam política com a modernidade. Previsão desta coluna: nem um nem outro vão sair. Quanto a iniciar uma fundação, trata-se de um tipo de instituição que requer acompanhamento legal e sistemático do Ministério Público, ao qual, como se sabe, políticos em geral têm horror. Nenhum fará qualquer coisa, jamais, para enfiar a cabeça na boca de um dragão sobre o qual ninguém tem controle. Isso, inclusive, explica a ausência de fundações em Goiás – são pouquíssimas, em torno de 10, todas rigorosamente fiscalizadas pelos promotores especializados no assunto. E, em matéria de canal na internet para debater ideias até que se trata de uma boa ideia. O difícil será arranjar quem se interesse por conversa mole em um meio onde o que arrasta audiência é uma mistura de criatividade com falta de inteligência.
CONVERSA VAI, CONVERSA VEM E MARCONI É MESMO CANDIDATO A DEPUTADO FEDERAL
Apesar de andar dizendo que pode disputar o governo em 2022, o ex-governador Marconi Perillo vai mesmo é postular na vaga na Câmara Federal – única saída mais ou menos segura que ele tem para recuperar um mandato e um lugar, por pequeno que seja, sob o sol da política. É provável, inclusive, que o tucano-mor de Goiás sequer dê a cara na campanha majoritária e se dedique somente ao seu projeto pessoal, evitando prejuízos eleitorais e mais desgastes.
PSDB DEFENDE COM UNHAS E DENTES A PERMANÊNCIA DO TCM PORQUE É O GRANDE BENEFICIADO
Não é por acaso ou por algum motivo realmente sério que o PSDB se posicionou contra o Projeto de Emenda Constitucional que extingue o Tribunal de Contas dos Municípios, apresentado pelo deputado estadual Henrique Arantes e já em tramitação na Assembleia. O partido, na prática, é o grande beneficiário do cabide de empregos do TCM, tendo, inclusive, nomeado todos os seus conselheiros – com exceção dos dois técnicos de carreira, que, mesmo assim, homologou. Radicalmente despido das vantagens do poder e da cargaria correspondente desde que foram massacrados nas urnas de 2018, restaram aos tucanos as estruturas dos tribunais de contas, o municipal e o estadual, onde estão abrigados seus apaniguados, muitos dos quais admitidos depois que o governador Ronaldo Caiado assumiu o Palácio das Esmeraldas. A extinção do TCM simplesmente eliminaria esse oásis administrativo, com a consequente extinção dos postos comissionados, em meio a uma seca de salários com dinheiro público que o PSDB distribuiu com fartura em seus quase 20 anos de poder em Goiás, mas hoje não tem mais.
MENDANHA E CRUZ SÃO EXEMPLOS DA POLÍTICA QUE SE FAZ ÀS CUSTAS DOS COFRES PÚBLICOS
A verdade, no Brasil, é que a política é feita às custas do erário, em todos os níveis, municipal, estadual e federal. Conquista-se o poder, em primeiro lugar, para abrigar os quadros dos partidos, fortalecê-los e em seguida, se for o caso, desenvolver políticas públicas. Todas as legendas, sem exceção se baseiam nessa lógica, qual seja a de buscar remuneração por conta do contribuinte para os seus operadores e militantes, em maior ou menor escala, mas todos perseguindo esse fim. E com manifestações gritantes desse fenômeno, como os casos, agora, de Goiânia, com o prefeito Rogério Cruz, e anteriormente Gustavo Mendanha, em Aparecida. Ambos criaram uma coleção de cargos, muito além do que receberam nas suas prefeituras, para cimentar acordos políticos e premiar vereadores e as direções partidárias. Não à toa, Mendanha tem o apoio dos 35 vereadores do município e de mais 21 partidos. Cruz caminha no mesmo rumo. Graças à folha de pagamento do Paço Municipal, manteve na sua base até mesmo os seis vereadores do MDB, sigla que rompeu com a sua gestão.
IRIS PARA O SENADO JÁ ESTARIA NO 1º LUGAR DAS PESQUISAS DE INTENÇÃO DE VOTOS
A velha guarda do MDB é inteiramente a favor de uma composição do partido com o governador Ronaldo Caiado para as eleições de 2022. Históricos como Haley Margon, Luiz Soyer e Genésio de Barros estão se desdobrando, na mídia, em declarações a favor dessa aliança, alguns, até, defendendo a desaposentadoria de Iris e a sua escalação como candidato ao Senado na chapa de Caiado. Entre eles, argumenta-se que Iris seria o líder em todas as pesquisas senatoriais, o que provavelmente é verdade – dado que, dentre os nomes lembrados por ora, é quem possui o maior recall, disparadamente. É notório que o governador gostaria de ter o velho cacique emedebista ao seu lado, no ano que vem, mas isso implica em destinar a vaga de vice a um outro partido – como por exemplo o Podemos, com Adib Elias, ou mesmo mantendo-se Lincoln Tejota, pelo Cidadania –, o que deixaria Daniel Vilela sobrando e tendo como alternativa uma candidatura a deputado federal. Se isso acontecer, o herdeiro de Maguito Vilela pelo menos estaria atendendo ao seu amigo do peito Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, que pressiona para que a legenda tenha candidatos competitivos à Câmara, em Goiás, e assim colabore para reforçar o protagonismo do partido em Brasília.
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