
EXPURGO NO PAÇO MUNICIPAL DEIXA O MDB E DANIEL VILELA SEM AGENDA PARA ESTE ANO
A crise com o prefeito não eleito de Goiânia Rogério Cruz, com o subsequente desembarque do Paço Municipal, deixou o MDB sem agenda para este ano em Goiás. Antes, o propósito era se valer da estrutura administrativa e do orçamento da prefeitura para ganhar musculatura e se preparar para 2022, ano das eleições não só para o governo do Estado, como também para o Senado, Câmara Federal e Assembleia. As alternativas seriam ou a candidatura própria, com Daniel Vilela encabeçando uma chapa reforçada pelo apoio do Republicanos e da máquina administrativa da cidade que tem o maior eleitorado em Goiás, ou então uma conciliação com o governador Ronaldo Caiado, mas em posição vantajosa, ou seja, a de escolher o que quisesse dentro do projeto da reeleição. De resto, eleger uma batelada de deputados estaduais e federais, em parte valendo-se da máquina administrativa da prefeitura. Pelo menos nesses termos, tudo isso foi para o ar. O MDB terá que se virar sozinho, contando apenas com uma prefeitura de expressão, a de Aparecida, hoje com o prefeito Gustavo Mendanha cavalgando equívocos e enfrentando um acelerado em processo de desgaste. Complicando, o partido tem um um senador meia boca,Luiz do Carmo, que não tem fidelidade nem à legenda nem ao seu presidente, nenhum deputado federal e quatro deputados estaduais que atuam sem compromisso com o partido e com Daniel Vilela. Serão tempos difíceis para os emedebistas os que vêm pela frente.
“PLANO DE GOVERNO” DE MAGUITO É AMONTOADO DE PROPOSTAS DESCONEXAS
O MDB e seu presidente estadual Daniel Vilela cobram a fidelidade do prefeito não eleito de Goiânia Rogério Cruz a um suposto “plano de governo” do prefeito eleito Maguito Vilela. Esse discurso, anotem aí leitoras e leitores, vai crescer nos próximos dias, na tentativa de se dar algum escopo moral para o rompimento da aliança com o Republicanos e com o Paço Municipal. O que precisa ser dito: não existe “plano de governo” de Maguito. O candidato, antes de ser afastado pela negligência e imprudência diante da Covid-19, não só a dele, como também a dos familiares e a da coordenação de campanha emedebista, apresentou um amontoado desconexo de “ideias” baseadas no marketing e não em levar benefícios reais para a população da capital. Desde propostas repetitivas como “revitalizar o centro”, há mais de 30 anos apresentadas por todos os que postulam a prefeitura, até impossibilidades como a construção de 15 mil casas, que uma avaliação na coluna Giro, em O Popular, na época assinada pelo jornalista Marcos Nunes Carreiro, mostrou exigir R$ 2 bilhões de reais para o seu custeio – dinheiro que obviamente jamais apareceria. Falar em “plano de governo” de Maguito é cultivar uma lenda urbana.
ESTELIONATO ELEITORAL DE 2022: O FEITIÇO QUE SE VIROU CONTRA O FEITICEIRO
Os dias têm sido amargos para o MDB e para o presidente estadual do partido Daniel Vilela. Na eleição do ano passado, um e outro se desdobraram para convencer o eleitorado de Goiânia a votar em um candidato fisicamente incapacitado e já naqueles dias irremediavelmente comprometido quanto a uma vida normal no futuro, caso sobrevivesse, muito embora a campanha emedebista e o filho comemorassem a cada dia melhoras que contrariavam as expectativas médicas e anunciassem uma próxima alta que só aconteceu, digamos assim, quando o paciente faleceu e deixou o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, dentro de uma urna funerária. Que houve um estelionato eleitoral, houve. Que agora se volta contra os seus formuladores. O senador Vanderlan Cardoso, o candidato que tinha como destino manifesto vencer aquela disputa, liderando as pesquisas com folga até a reta final e só perdendo no 2º turno por uma ninharia de votos, cansou-se de denunciar a farsa em andamento. A campanha do MDB, eticamente uma das mais sujas já feitas na capital quanto ao conteúdo, aproveitou a trégua que os adversários respeitosamente concederam ao concorrente em estado pré-terminal para atacar e bater à vontade em Vanderlan, ele mesmo um dos que suspenderam críticas ou questionamentos mais pesados ao Maguito Vilela, cujo telhado de vidro passou incólume pelo 1º e pelo 2º turnos.
VANDERLAN CARDOSO SOBRE OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS NO PAÇO MUNICIPAL: “EU AVISEI”
“Eu avisei”, tem repetido o senador Vanderlan Cardoso a jornalistas que o procuram para falar sobre os últimos acontecimentos no Paço Municipal. E é verdade. Na campanha, ele cansou-se de repetir que uma fraude eleitoral estava em andamento com as notícias falsas sobre o estado de saúde do candidato do MDB Maguito Vilela e com a ocultação do vice Rogério Cruz, substituído por Daniel Vilela como portavoz da chapa emedebista na época.
NOME DE MAGUITO FOI USADO EM VÃO PARA CHANCELAR A INDICAÇÃO DE SECRETÁRIOS
O prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela provavelmente morreu sem saber que havia vencido no 2º turno. É uma lenda urbana o que o MDB propaga, ou seja, que ele escolheu ou pelo menos aprovou nomes para o secretariado municipal, em uma época em que, devido ao seu estado de saúde gravíssimo e sustentado por máquinas extracorpóreas que substituíam as suas funções vitais, não tinha consciência de nada. A posse só foi possível graças a um documento fraudado com uma assinatura digital, figura jurídica que não existe no ordenamento jurídico brasileiro. Daniel Vilela prometeu estrepitosamente processar Vanderlan pelas acusações de que um embuste teria ocorrido nas eleições e se prolongado até as providências formais para a assunção do seu pai ao cargo de prefeito. Passado o momento em que a ameaça serviu às finalidades malandras da campanha, não cumpriu e não o fez até hoje, aliás com o senador repetindo as denúncias, como na semana passada, na nota principal da coluna Giro, em O Popular, quando insistiu em que “as eleições em Goiânia foram uma fraude do início ao fim”. Daniel Vilela não respondeu.
INSISTIR NA FRAUDE LIQUIDOU O MDB, QUE PODERIA TAMBÉM VENCER COM HONESTIDADE
Se o MDB e o filho Daniel Vilela tivessem assumido que Maguito Vilela, internado em estado desesperador na UTI do Hospital Albert Einstein em São Paulo, não teria mais condições de manter a candidatura e menos ainda de assumir um dia a prefeitura de Goiânia, indicando Daniel como substituto – uma atitude honesta e com forte apelo eleitoral – é provável que a história tivesse caminhado por trilhos corretos e éticos em Goiânia. Mas, infelizmente, foi irresponsabilidade e conto do vigário o que aconteceu, quando eles – o presidente estadual e o seu partido – resolveram apostar todas as fichas em um estelionato político ao usar a doença do candidato para atrair simpatias e votos e abusar do sentimento de solidariedade das eleitoras e dos eleitores da capital para vencer a eleição. Está aí o resultado.
EM RESUMO