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MOMENTO POLÍTICO | José Luiz Bittencourt

POLÍTICA

Coluna Momento Político - 21 De Dezembro De 2021

21/12/2021 às 09h29


POR MOMENTO POLÍTICO | José Luiz Bittencourt

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PAPELÃO DO MAJOR VITOR HUGO RESSALTA QUE ELE NÃO CONHECE NADA SOBRE GOIÁS

Foi um papelão o que o deputado Major Vitor Hugo fez ao aparecer em uma das trágicas lives semanais do presidente Jair Bolsonaro para fazer avaliações distorcidas sobre a adesão de Goiás ao Regime de Recuperação Fiscal, sem a menor base na realidade. O parlamentar, que não conhece Goiás e só está na Câmara Federal por acidente e não por mérito eleitoral, já que pegou a garupa no patrimônio de votos do deputado federal Delegado Waldir para chegar ao seu mandato atual, atribuiu a dificuldades financeiras do Estado geradas pela gestão da pandemia a motivação para o acesso ao RRF, quando é notório que o governador Ronaldo Caiado tomou a iniciativa muito antes da chegada da Covid-19, no contexto dos graves desequilíbrios entre receita e despesa que herdou das administrações passadas. Vale anotar que o ministro da Economia Paulo Guedes, ao deferir a solicitação de Caiado, após estudos aprofundados da Secretaria do Tesouro Nacional e uma determinação do Supremo Tribunal Federal, elogiou a situação fiscal de Goiás e ressaltou que o Estado foi o único a fazer o dever de casa e também é o que está em melhor condição quanto a sua economia interna dentre todas as Unidades Federativas.

FALTAM CONEXÕES PESSOAIS, FAMILIARES E POLÍTICAS COM GOIÁS

Major Vitor Hugo tem um currículo de mãos vazias quanto ao dever de alguém que conseguiu um mandato com votos de eleitores goianos. Na Câmara, ele se esmerou na condição de mero despachante de emendas orçamentárias, o que é muito pouco para quem usufrui do prestígio que ele tem junto ao presidente Jair Bolsonaro – com quem se alinha incondicionalmente na defesa do autoritarismo e das bandeiras retrógradas de costume. É um puxa-saco, nada mais, não um formulador de ideias e projetos ou um líder comprometido com Goiás. Nunca contribuiu, por exemplo, com medidas capazes de fortalecer as estratégias de segurança pública no país e muito menos no Estado, onde o governador Ronaldo Caiado conseguiu reduzir drasticamente os índices de criminalidade – o que nem mesmo seus adversários mais radicais são capazes de contestar. Vitor Hugo não tem conexões com Goiás, de nenhuma natureza, nem pessoais, nem familiares, nem políticas. Não serve aos interesses das goianas e dos goianos.

SUPERAR O “VAREJÃO” É O GRANDE DESAFIO DE ROGÉRIO CRUZ

Não é fácil para um prefeito que não foi eleito conquistar a legitimidade política e convencer a sociedade de que pode ser um gestor adequado e capacitado. Quase um ano depois de empossado, é o caso de Rogério Cruz, com uma gestão mergulhada no “varejão” de pequenas realizações, porém sem conseguir encontrar um foco maior para o mandato que ganhou de presente do destino. Pelo menos parece superada a fase das crises diárias e da repetição de equívocos, mas persiste a imagem de improviso e dificuldades para encontrar um caminho capaz de trazer uma marca ou identidade para a gestão municipal. Existe na prefeitura um certo vácuo de poder, ressaltando pela lembrança do modelo bem-sucedido de Iris Rezende, que o prefeito esperneia para preencher, mas ainda sem encontrar um caminho seguro, passando a impressão de quem não tem autonomia e está submetido a injuções extraprefeitura das quais não consegue escapar. Falta um foco – e a expectativa das primeiras pesquisas de avaliação de Rogério Cruz, aguardadas para janeiro, preocupam e incomodam o Paço Municipal.

O PREJUÍZO DE MENDANHA AO TROCAR DANIEL VILELA POR MAGDA MOFATTO

Não está fácil a vida para o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha. Para desenvolver o seu projeto político, ele rompeu com o seu principal aliado – Daniel Vilela – e passou a andar com companhias com as quais nunca conviveu antes e que só se aproximaram dele na tentativa de retaliar o governador Ronaldo Caiado. A deputada federal Magda Mofatto é um exemplo: ela sempre foi donatária da Goiás Turismo (antiga Agetur) nos governos do PSDB, mas Caiado passou uma borracha e preferiu dar uma gestão técnica para o órgão, que, obviamente, não pode ser administrado por quem tem interesses específicos na área, caso de Magda e do seu complexo hoteleiro em Caldas Novas. Óbvio, ela não aceitou e rompeu com o governador. Mendanha, assim, é útil para que ela dê o troco, conforme imagina. O problema é que a deputada não tem estrutura política nem visão histórica para bancar uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas, do que é prova as suas posições rasteiras e a defesa, mal-feita, aliás, de extremismos nocivos para a sociedade como a facilitação do acesso a armas. O prefeito de Aparecida, ao trocar Daniel Vilela por Magda Mofatto, saiu com um enorme prejuízo nas mãos.

VÊM AÍ MAIS OPERAÇÕES POLICIAIS PARA APURAR CORRUPÇÃO EM APARECIDA

Sobre Aparecida: não es esgotaram as operações policiais que investigam corrupção na administração do prefeito Gustavo Mendanha – e, anotem, leitoras e leitores, não apenas no hospital municipal. Vêm aí mais desdobramentos, e sérios, na apuração de desvios de recursos. O secretário de Fazenda André Rosa, um dos alvos da Operação Falso Positivo Fase 2, juntamente com a sua mulher, pode colocar as barbas de molho.

REFORMA DO SECRETARIADO ESBARRA NO BOM DESEMPENHO DA ATUAL EQUIPE

Haverá reforma no secretariado do governador Ronaldo Caiado no início do ano que vem? Existe expectativa, sim, mas muito mais pela lógica do período eleitoral que se aproxima, quando é necessário aglutinar forças, do que diante de informações concretas e manifestações de Caiado ou assessores próximos. Na verdade, como o núcleo da equipe de auxiliares, ou seja, onde estão os cargos que realmente importam e concentram poder, é técnico e está composto por secretários que mostraram um desempenho de nível elevado, só restariam pastas secundárias ou periféricas para uma mexida – o que, portanto, não teria reflexos significativos no conjunto da administração. O time de Caiado, de um modo geral, tem um bom desempenho. Não tem sentido introduzir alterações, pelo menos de monta.

OS ARANTES VÃO PARA 2022 EM CAMPOS POLÍTICOS OPOSTOS

Os dois Arantes da política estadual – Henrique, na Assembleia Legislativa, e Jovair, ex-deputado federal – vão disputar as eleições de 2022 em campos opostos. Henrique Arantes vai buscar mais um mandato candidatando-se pela base do governador Ronaldo Caiado, enquanto Jovair Arantes tentará voltar à Câmara Federal alinhando-se com a campanha do prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, inclusive filiando-se ao seu mesmo partido, ou de quem o substituir. As razões dizem respeito a um pragmatismo eleitoral poucas vezes visto antes em Goiás. Henrique aproximou-se do Palácio das Esmeraldas para facilitar o seu acesso às emendas impositivas e para manter o apoio de prefeitos governistas; Jovair faz o movimento contrário, para ter o respaldo de bases municipais como a de Itumbiara, onde terá ao seu lado candidatos que foram derrotados em 2020 pelo atual prefeito Dione Araújo, do DEM, ação similar à de Mendanha.enri

 

EM RESUMO

  • Surpresa: o PSDB já conseguiu para 2022 três candidatos a deputado federal em Goiás: o ex-governador Marconi Perillo, o deputado estadual Hélio de Souza e o ex-planejador Giuseppe Vecci.

 

  • A deputada estadual Lêda Borges pode também aceitar o desafio de postular a Câmara Federal. Ela propôs dobradinha ao colega Gustavo Sebba, que é filho do ex-prefeito de Catalão Jardel Sebba.

 

  • E ainda sobre a corrida por uma cadeira na Câmara Federal: André Fortaleza, presidente da Câmara Municipal de Aparecida, conversou com o presidente do MDB Daniel Vilela e deve entrar na disputa.

 

  • O presidente licenciado do PSDB Zé Eliton está literalmente eufórico com a aliança entre o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o ex-presidente Lula. Ele acha que vai ter reflexos em Goiás.

 

  • Uma consequência pode ser o próprio Zé Eliton se desligando do PSDB para acompanhar Geraldo Alckmin em sua nova sigla, provavelmente o PSB. A dúvida é se ele seria aceito pelo grupo de Elias Vaz.

 

  • Ao contrário do que muitos imaginam, o deputado estadual Paulo Cézar Martins não cortou o diálogo com o presidente estadual do MDB Daniel Vilela. Os dois continuam trocando ideias.

 

  • Detalhe que poucos notaram: Paulo Cézar não tem mais o entusiasmo de antes quanto a pré-candidatura de Gustavo Mendanha e não é mais visto escoltando o prefeito em andanças pelos municípios.

 

  • Com o início de um novo ano, o governador Ronaldo Caiado deve ampliar os espaços dentro do seu governo para o MDB. Um dos cotados para uma vaga no secretariado é o ex-deputado federal Euler Morais.

 

  • No fim de semana, o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha foi a Itumbiara e voltou com o apoio do ex-prefeito Zé Antonio, pior da história do município e 4º lugar na eleição municipal passada.